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Rouquidão infantil

Quem não conhece ou conheceu a história de uma criança que tem a voz rouca desde pequena e é conhecida na escola, na rua ou no grupo como o "pato rouco"?

As mães permanecem falando que ela é assim desde que nasceu.

Estamos falando, na verdade, de uma patologia da voz chamada de disfonia infantil, que é sempre considerada como um sintoma - algo errado está acontecendo no aparelho fonador; caso persista por mais de 15 dias, procure um médico.

Tabith (1989) afirma que a criança adquire este hábito inadequado por ter aprendido pelas condições ambientais internas, principalmente familiares, e externas, tais como pais agitados, que usam a voz de forma intensa, e competições com outras pessoas do lar, principalmente irmãos.

As principais causas são o abuso vocal e o mau uso da voz, frente à incapacidade de manter um relacionamento satisfatório com as pessoas ao seu redor, e a ansiedade gerada, frente ao ambiente familiar.

É interessante ressaltar que, em famílias numerosas, as disfonias são consideradas um fator de alto risco, favorável ao desenvolvimento de nódulos vocais.

As crianças de famílias grandes ou com pais muito ocupados tendem a conquistar seu espaço por meio do grito, para que não passem despercebidas. Elas necessitam demarcar seu espaço, sinalizando assim um pedido de SOS.

As crianças com nódulos vocais geralmente usam a voz como instrumentos de expressão, de agressividade ou de defesa. Elas descarregam suas frustrações e raiva gritando durante suas atividades, devido às suas dificuldades em verbalizar emoções.

Esta patologia necessita ser diagnosticada corretamente por um otorrinolaringologista e tratada adequadamente pelo fonoterapeuta para que não se torne um quadro crônico.

A instalação da disfonia pode ser:

  • de forma súbita, por processos infecciosos (viroses, alergias recorrentes, etc.); traumatismos (entubamento, acidentes, etc.) e abusos vocais intensos (torcida em jogos de futebol),
  • de forma lenta e progressiva: funcional (mau uso constante do aparelho fonador); períodos cíclicos (gripes mal curadas).

Com o crescimento da fonoaudiologia preventiva e o progresso tecnológico dos exames laringológicos, será cada vez maior o número de crianças com alterações vocais diagnosticadas precocemente.

As terapias são diferenciadas das dos adultos, requerem maior dinamismo e criatividade do terapeuta. Atualmente temos alguns softwares que auxiliam e incentivam a criança, gerando um excelente resultado na reabilitação desses pacientes.

Maria Beatriz Coelho
Fonoaudióloga e psicomotricista

Maria Cláudia de Andrade Tibúrcio Dias
Fonoaudióloga e psicopedagoga

 
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